MUNDOS INDÍGENAS - Espaço do Conhecimento UFMG

Renata Marquez, Dânia Lima, Tainá Alves, Maria Cecília Rocha e Pedro Vilaça

“Në ropë virou exposição e então o povo da cidade vai começar a ouvir e perguntar: O que é në ropë? Assim vocês vão explicar para seus filhos e vamos construindo um caminho para andarmos juntos, lutarmos juntos. Fazer uma aliança, fazer uma união para poder defender në ropë em nosso planeta”, comenta o xamã Davi Kopenawa. Mas como “në ropë virou exposição”? Junto aos Yanomami, mais quatro grupos compostos por curadores e curadoras indígenas dos povos Ye’kwana, Xakriabá, Maxakali e Pataxoop participaram de um processo coletivo durante o ano de 2019, convidados pelas antropólogas Deborah Lima, Ana Maria R. Gomes e Mariana de Oliveira, feito de encontros, conversas, trocas e criações. Juntos, tentamos tecer um espaço para a experiência sensível de outros modos de ver, viver e conviver. Enquanto os pajés, artistas, pensadores e pensadoras indígenas traziam suas cosmovisões, nas quais se tornava impossível manter separadas arte e ciência, cultura e natureza, ou mesmo distinguir humanos e não humanos, nós refletíamos, acolhendo a chance da antropologia reversa, sobre o gesto urgente de ocupar os circuitos culturais com outras epistemologias. A proposição expográfica não poderia deixar inquestionada a problemática materialidade entre nós – a industrialização, o extrativismo, a descartabilidade, o desperdício – diante da experiência cotidiana dos curadores envolvidos, constituída pelo entendimento da vida cíclica dos materiais, do poder de agência dos seres e objetos e de seu saber mítico. O desafio de explicitar a coerência entre forma e conteúdo se baseava em minimizar os elementos construtivos descartáveis, comuns em exposições temporárias, no intuito de podermos planejar de fato “um caminho para andarmos juntos”, como convidou Kopenawa.
Curadoria de Davi Kopenawa e Joseca Yanomami; Júlio Magalhães e Viviane Cajusuanaima Rocha; Célia, Edvaldo e Pajé Vicente Xakriabá; Sueli e Isael Maxakali; Liça e Kanatyo Pataxoop.

ESTRATÉGIAS EXPOGRÁFICAS PARA O MAP - Museu de Arte da Pampulha

Renata Marquez e Wellington Cançado

Paulo Bruscky - exposição do programa “Arte contemporânea”, em outubro de 2010. Nessa montagem tivemos o desafio de propor uma museografia para uma obra historicamente anti-museográfica. Transportamos a ambiência da biblioteca, do arquivo e das salas de leitura para o espaço do museu, na tentativa de aproximar o espectador do universo crítico-poético de Paulo Bruscky. Curadoria de Marconi Drummond.

Adriana Varejão - exposição do programa “Arte contemporânea”, em setembro de 2008. Nessa montagem optamos por criar um “cubo branco” dentro do hall nobre. Um museu-ideal dentro de um cassino-museu. Enquanto as obras estavam no interior do “cubo”, do lado de fora, paredes brancas reconfiguravam os acessos e percursos e funcionavam como um inesperado “fundo” para os pilares inoxidáveis, superfícies refletoras da paisagem externa e “brises espaciais” impedindo o contato das obras com o sol . Além do cubo branco, para minimizar a incidência da luz solar no espaço interno, muito intensa nessa época do ano, um “muxarabi adesivo”, cujo padrão vazado era o mesmo dos azulejos do museu, foi aplicado sobre parte dos vidros da fachada principal. Curadoria de Marconi Drummond.

Binária: acervo público e privado - exposição anual do acervo do MAP, em janeiro de 2007. Nessa montagem optamos por “fatiar” o hall nobre em 7 espaços distintos de forma a possibilitar uma enorme superfície de parede para as obras bidimensionais e, ao mesmo tempo, criar uma tensão entre as obras do MAP e as demais, pois de acordo com a curadoria de Marconi Drummond, para cada obra/artista do museu haveria uma correspondente de coleção privada. Um mapa espacializado do público e do privado da arte e um labirinto de obras a ser desvendado a medida que, parcialmente, o espaço ia se revelando.

ESTÓRIAS DE MONTAR

Estórias de montar é o nome da exposição da artista Gisele Lotufo realizada no Palácio das Artes em Belo Horizonte, no ano de 2006. Gisele, falecida dois anos antes, trabalhava com ilustração, animação, pintura em pequenos formatos e em rolos contínuos de papel de 20 metros, além de produzir bonecos, bichos, frutas e livros de tecido. Sua prática artística esteve sempre conectada ao universo infantil e ao imaginário doméstico, sendo que um de seus projetos não realizados era abrir sua casa para oficinas com alunos das escolas públicas.
No projeto para a exposição optamos por criar uma “paisagem” que fosse uma combinação improvável de play-ground, casa, jardim, sala de aula e galeria de arte. Concebemos uma série de movéis que juntamente com obras espaciais definiam os diversos ambientes da mostra: banquinhos de isopor encapados com tecidos serigrafados, uma mesa de 10m de comprimento que era ao mesmo tempo plataforma para as oficinas e tela para projeção dos livros, um tablado de grama sintética com “mesa de centro”, vitrines acrílicas ambulantes, TVs, etc. O desenho em rolo de 20 metros foi “encapsulado” com plástico de toldo e suspenso pelo teto formando um espaço intimista onde bichos e frutas de feltro gigantes flutuavam livremente. A maior parede da galeria foi pintada de “quadro-negro” para ser utilizada pelas oficinas com crianças. Curadoria de Renata Marquez e Hélio Passos.

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Exposição Mundos Indígenas
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Exposição Paulo Bruscky
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Exposição Adriana Varejão
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Exposição Binária
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Exposição Estórias de Montar
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