ESTRATÉGIAS EXPOGRÁFICAS PARA O MAP - Museu de Arte da Pampulha
Adriana Varejão - exposição do programa “Arte contemporânea”, em setembro de 2008. Nessa montagem optamos por criar um “cubo branco” dentro do hall nobre. Um museu-ideal dentro de um cassino-museu. Enquanto as obras estavam no interior do “cubo”, do lado de fora, paredes brancas reconfiguravam os acessos e percursos e funcionavam como um inesperado “fundo” para os pilares inoxidáveis, superfícies refletoras da paisagem externa e “brises espaciais” impedindo o contato das obras com o sol . Além do cubo branco, para minimizar a incidência da luz solar no espaço interno, muito intensa nessa época do ano, um “muxarabi adesivo”, cujo padrão vazado era o mesmo dos azulejos do museu, foi aplicado sobre parte dos vidros da fachada principal.
Binária: acervo público e privado - exposição anual do acervo do MAP, em janeiro de 2007. Nessa montagem optamos por “fatiar” o hall nobre em 7 espaços distintos de forma a possibilitar uma enorme superfície de parede para as obras bidimensionais e, ao mesmo tempo, criar uma tensão entre as obras do MAP e as demais, pois de acordo com a curadoria de Marconi Drummond, para cada obra/artista do museu haveria uma correspondente de coleção privada. Um mapa espacializado do público e do privado da arte e um labirinto de obras a ser desvendado a medida que, parcialmente, o espaço ia se revelando.
ESTÓRIAS DE MONTAR
Estórias de montar é o nome da exposição da artista Gisele Lotufo realizada no Palácio das Artes em Belo Horizonte, no ano de 2006. Gisele, falecida dois anos antes, trabalhava com ilustração, animação, pintura em pequenos formatos e em rolos contínuos de papel de 20 metros, além de produzir bonecos, bichos, frutas e livros de tecido. Sua prática artística esteve sempre conectada ao universo infantil e ao imaginário doméstico, sendo que um de seus projetos não realizados era abrir sua casa para oficinas com alunos das escolas públicas.
No projeto para a exposição optamos por criar uma “paisagem” que fosse uma combinação improvável de play-ground, casa, jardim, sala de aula e galeria de arte. Concebemos uma série de movéis que juntamente com obras espaciais definiam os diversos ambientes da mostra: banquinhos de isopor encapados com tecidos serigrafados, uma mesa de 10m de comprimento que era ao mesmo tempo plataforma para as oficinas e tela para projeção dos livros, um tablado de grama sintética com “mesa de centro”, vitrines acrílicas ambulantes, TVs, etc. O desenho em rolo de 20 metros foi “encapsulado” com plástico de toldo e suspenso pelo teto formando um espaço intimista onde bichos e frutas de feltro gigantes flutuavam livremente. A maior parede da galeria foi pintada de “quadro-negro” para ser utilizada pelas oficinas com crianças.
Renata Marquez e Wellington Cançado
